Ano Novo!!! Mais uma vez, não sei dizer exatamente porque, mas não vejo esta data com o mesmo entusiasmo de antigamente. Pra ser sincero, depois que completei meus 18 acho que cada ano que passa leva também um pedaço de mim, um pedaço da minha juventude, um pedaço... um pedaço... um pedaço de minha alma. Os anos vão se passando, as pessoas em minha volta vão mudando e eu pareço estar quase que regredindo.
Se a virada do ano fosse também representar uma virada de vida seria ótimo, mas na segunda-feira eu tenho certeza que vou continuar sendo o mesmo Lucas, com as mesmas limitações, com os mesmos medos.
Espero estar errado, que tudo possa mudar, possa tudo melhorar, isso e claro, depois que me curar da ressaca!!!
Lucas Ribeiro
Pitangui, 26 de dezembro de 2006
Veneno que consome
Veneno que tem seu nome
Luciene você não sai da minha cabeça
Seu perfume não permite que eu te esqueça
Nossa união poderia ser algo perfeito
Mas a distância nos separou
Nunca mais aqui você voltou
E em mim só a saudade ficou
Talvez seja melhor assim
Você não deve ter sido feita pra mim
Mas mesmo assim gostaria de arriscar
Mais uma vez te amar
Mas hoje vejo
Que o que posso fazer é so sonhar
Porque sei que nunca mais
Ao meu lado você vai estar
Lucas Ribeiro
Pitangui, 04 da abril de 2001
Estou já muito longe para simplesmente querer largar tudo e tentar recomeçar de outra maneira. Tantos erros sucessivos me fizeram covarde e frio, perspicaz e vazio. Vejo um horizonte cada vez mais sombrio, rodeado de pessoas cada vez mais hostis. Nenhuma mão amiga pra me tirar deste buraco.
Antes patrão de mim mesmo, agora me vendo a cada dia por um preço desprezível. Antes dono do meu destino, sem perceber me tornei passageiro da agonia. Solitárias noites frias, tristes noites vazias. O passado feliz a ecoar no coração e o nada a escurecar agora minha visão.
Gás lacrimogênio, prostitutas, cadeia. Não era o que eu esperava da capital, mas foi o que me foi oferecido, dura e secamente. Até quem pensei que gostasse de mim, minha única referência, quase me derrubou mostrando-me a realidade de que estava sozinho.
Um dia após o outro, igualmente sem sentido. Não foi mais um dia vivido, mas sim um dia perdido. Meses perdidos de uma vida agora sem sentido, sem paixão, sem razão de ser.
Uma coisa que tive que aprender na prática foi que nada nesta vida e de graça e as coisas que aparentemente não nos são cobradas são as que nos saem mais caras. Nos iludimos dando valor demasiando ao que ainda não possuímos na esperança de que quando alcançarmos poderemos ser diferentes, melhores em alguma coisa, mas ao contrário de diminuir, cada conquista só faz aumentar o vazio dentro de nós. Quando nós damos conta vemos que o que realmente precisávamos já esteve em nossas mãos e por não percebermos no tempo certo deixamos fugir.
O preço as vezes e alto demais pra se pagar em apenas uma vida. As vezes uma só vida e pouco para se realizar tantos sonhos. As vezes tantos sonhos não valem nem o que já se tem. As vezes o que se tem e nada para um vida inteira. E as vezes o nada foi o que sempre procuramos, por toda vida. Poder se desvencilhar das coisas materiais e dos desejos carnais sem arrependimento, sem sentir falta.
Fazer o que não se ama apenas pelo dinheiro não é uma boa escolha. Nenhum dinheiro no mundo paga os dias de sua juventude perdidos fazendo uma coisa que não te da prazer.
Quando pensei ter me livrado do bicho que havia dentro de mim, pensei ter encontrado meu equilíbrio. Ele voltou mais forte do que nunca e com ele todo meu egoísmo e ódio e não pude mais controla-lo e voltei a cometer todos os erros que prometi nunca mais fazer. Com isso pareceu-me até estar voltando no tempo. Cometendo os mesmo erros só que em um lugar diferente.
Para pagar meus erros acabei cometendo mais erros que ainda serão pagos e tudo parece se tornar uma grande bola de neve. Tenho medo agora de onde poderei parar com tanto sofrimento.
Por causa de meus sonhos tive que fazer muitas trocas que em nada me foram boas. Meu saxofone pro um fuzil, os ensaios de música por ordem unida e formaturas. A liberdade pelos degradantes serviços de sentinela. O grande números de amigos por um bando de soldados dos quais tenho que estar sempre atento para que não me roubem até mesmo a roupa do corpo. Meus amados pais por pessoas que não se importam comigo. A cidade onde nasci por uma capital corroída pela corrupção. A ambição de estudar, conseguir alcançar alguma posição neste mundo pela resignação.
* fragmentos de sentimentos anotados em meados de agosto e setembro de 2003 quando prestei o serviço militar obrigatório em Brasília.
Lucas Ribeiro
E me encontro
Novamente
No mesmo lugar.
Estarei andando em círculos?
Depois de tanto chão percorrido
Me impressiono a ver de novo
A mesma paisagem
Deslumbramentos, ambições
Angústias, decepções
Sempre acredito no melhor das pessoas
E sempre me engano com elas
Hora ou outro por interesse próprio
Me traem, me magoam
Não tenho perspectivas
Não posso continuar neste caminho
Mas como achar outro
Estando sozinho?
Ate quando isto irá durar?
Já são tantas perguntas
E nenhuma resposta
Talvez mudar isso
Ninguém possa
Lucas Ribeiro
Pitangui, 28 de novembro de 2006
Rio da minha infância
Rio da minha adolecência
Rio da minha vida
Talvez algum dia
Rio da minha morte
Em suas plácidas margens
Agora tão vazias
Vivi tristezas
E enchente de alegrias
Tive minhas más
E minhas boas pescarias
Espantando os mosquitos
Nadando na água corrente
De ti não guardei rancor
Quando levaste minha casa
Após meses de chuvas
Apenas a melancolia
Ao ver aqueles telhados
Submergirem naquele improvisado
Oceano de água turva
Quando acalmastes e abaixastes
Pouco do que ali havia
Ainda estava de pé
No mesmo lugar
Me entristecem as usinas
Que com seu lixo industrial
Os já poucos peixes extermina
Dizimando também
A população ribeirinha
Rio da minha poesia
Rio de minha fantasia
Que um dia já correu
Águas limpas e vivas
Hoje o esgoto
Da suposta civilização
É incessantemente jogado em seu leito
Sem nenhuma conciência ou respeito
Mas a ganância pela riqueza
Não lembra da frágil natureza
Matando meu rio
O rio da minha vida
Que morre antes de mim.
Lucas Ribeiro
Pitangui, 06 de julho de 2001