Veneno que consome
Veneno que tem seu nome
Luciene você não sai da minha cabeça
Seu perfume não permite que eu te esqueça
Nossa união poderia ser algo perfeito
Mas a distância nos separou
Nunca mais aqui você voltou
E em mim só a saudade ficou
Talvez seja melhor assim
Você não deve ter sido feita pra mim
Mas mesmo assim gostaria de arriscar
Mais uma vez te amar
Mas hoje vejo
Que o que posso fazer é so sonhar
Porque sei que nunca mais
Ao meu lado você vai estar
Lucas Ribeiro
Pitangui, 04 da abril de 2001
E me encontro
Novamente
No mesmo lugar.
Estarei andando em círculos?
Depois de tanto chão percorrido
Me impressiono a ver de novo
A mesma paisagem
Deslumbramentos, ambições
Angústias, decepções
Sempre acredito no melhor das pessoas
E sempre me engano com elas
Hora ou outro por interesse próprio
Me traem, me magoam
Não tenho perspectivas
Não posso continuar neste caminho
Mas como achar outro
Estando sozinho?
Ate quando isto irá durar?
Já são tantas perguntas
E nenhuma resposta
Talvez mudar isso
Ninguém possa
Lucas Ribeiro
Pitangui, 28 de novembro de 2006
Rio da minha infância
Rio da minha adolecência
Rio da minha vida
Talvez algum dia
Rio da minha morte
Em suas plácidas margens
Agora tão vazias
Vivi tristezas
E enchente de alegrias
Tive minhas más
E minhas boas pescarias
Espantando os mosquitos
Nadando na água corrente
De ti não guardei rancor
Quando levaste minha casa
Após meses de chuvas
Apenas a melancolia
Ao ver aqueles telhados
Submergirem naquele improvisado
Oceano de água turva
Quando acalmastes e abaixastes
Pouco do que ali havia
Ainda estava de pé
No mesmo lugar
Me entristecem as usinas
Que com seu lixo industrial
Os já poucos peixes extermina
Dizimando também
A população ribeirinha
Rio da minha poesia
Rio de minha fantasia
Que um dia já correu
Águas limpas e vivas
Hoje o esgoto
Da suposta civilização
É incessantemente jogado em seu leito
Sem nenhuma conciência ou respeito
Mas a ganância pela riqueza
Não lembra da frágil natureza
Matando meu rio
O rio da minha vida
Que morre antes de mim.
Lucas Ribeiro
Pitangui, 06 de julho de 2001
Latidos pela noite
Que se esgota pelos ponteiros do relógio
Latidos muito distantes
Indistintos
Pela madrugada
Um silêncio ameassador
Que só é rompido pelos latidos
Que agora parecem terem cessado
Minha vontade é de sair
Do meu quarto e explorar a noite
Não faço-o por preguiça
Ou por saber que voltaria ainda mais intediado
Na sala o relógio marca o compasso
60 semínimas por minuto
60 minutos infrutíferos nessa hora que transcorre
24 horas de um dia quase igual ao outro e ao próximo
365 dias de um ano que pouco difere do outro
Mudando apenas o último algarismo
Agora para um número ímpar
Anos que transcorrem em séculos apenas para provar
A imbecilidade e o egoísmo do ser que é a maior criação de Deus
Século após século se mostrando mais claramente
Depois de talvez uma dúzia de milênios
Desde que evoluímos do macaco
Ou saímos do barro
É uma questão de crença
Acreditar em uma ou outra
Não vou agora começar a me questionar sobre Deus
Pois esta narrativa já esta um pouco longa
E não quero me estender indefinidamente
Sem chegar há lugar algum.
Lucas Ribeiro
Pitangui, 09 de fevereiro da 2003
Talvez seja esse o problema
Ter dezessete anos
E ainda não ter encontrado
Nada que valesse a pena
Talvez por causa da dificuldade
Em transformar pensamentos em papel
Ou pela impossibilidade de transformar
Sentimentos em música
O que tenho é apenas aquela eterna dúvida
E a mesma Incerteza
De quem sou e pra onde vou
Insegurança foi só o que restou
Um pouco de perseverança
Talvez tenha restado
Para poder acreditar que ainda
Tudo isto vai mudar
Quero assim pensar
Pois se não
Tudo isto não teria sentido
E preferiria nunca ter existido
Lucas Ribeiro
Pitangui 2001